Charge do Amorim foi feita originalmente para o Correio do Povo
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Feliz Natal!

Fico impressionado com o comportamento das pessoas nestes dias de resguardo de Natal e aguardo de Ano Novo. É como se uma luz incandescente emergisse de cada veia e de cada neurônio. É um espetáculo o que acontece no cérebro de cada pessoa.
As pessoas ficam mais alegres, acreditam mais, reduzem os seus medos. Acreditam que o 13º salário vai quitar todas as dívidas e que, de uma hora para outra, a vida vai ser bem melhor no ano que vai nascer.
Aquele que te fez sofrer aperta a tua mão e tu respondes com ternura ao mesmo aperto de mãos. O carrasco que te algemou recebe um abraço teu, mesmo que não tenhas mãos.
O menino da periferia, de cor negra e já sem dentes básicos, aguarda inquieto aquele embrulho que vai lhe trazer alegria. O seu pobre pai, alcoolizado na esquina, não percebe o tamanho do sonho do filho. E se percebe se alcooliza para não perceber.
A menina adolescente acredita que são verdadeiras aquelas palavras lindas que ouviu no celular, que só liga a cobrar, e que não vai demorar a chegada daquele príncipe encantado.
Ela não sabe que aquele calhorda quer apenas se aproveitar de sua carne tenra. Que do outro lado da vila, da vida, da palafita ele dorme numa mansão inconsolável e que o seu sonho juvenil vai acordar com os gritos da primeira briga de rua do ano.
O dono do boteco na ponta da rua acredita que todo o bairro esquecido pelos homens do poder vai se lembrar de quitar as suas dívidas. Ele sonha encher, no ano que vem e que chega sob as primeiras luzes e nos mais sutis apertos de mão, as prateleiras com mais feijão e açúcar, bolacha, sardinha e arroz, palito de fósforo, pouco papel, goiabada e cibalena, muito sal, farinha e pão dormido, lâmina de barbear semanal.
O homem do boteco é como a gente que vende sonhos a prazo, não exige assinatura, não cobra a fatura e nem digital. Tudo fica aguardando o Natal, o Ano Novo que vai chegar como búfalo, locomotiva e temporal.
Esses dias especiais vão trazer de volta o meu emprego, a minha alegria, o meu pão, a mulher perdida, a conta esquecida que o vizinho não pagou. Vai ter leite em toda mama, vergonha em todo homem, beleza em toda dama.
Não serei mais tão estúpido a ponto de não perceber os olhares do povo que exige mais abrigo, escola e pão. Vou abraçar o amanhecer e ver que a vida não passa de um pedaço do universo que também se partiu.
Verei que a felicidade humana é como um pouco de carne na boca sempre faminta de um rico qualquer. E que cada um alimenta o seu animal a partir do tamanho da alma do seu próprio dono.
Por isso me incomodam esses abraços, que parecem laços, pedaços de sonhos que não vão se realizar, como se uma serpente engolisse a outra que também lhe quer bem.
Neste Natal as serpentes de cada mente humana vão abraçar as outras serpentes. Será um abraço de quem come e dorme, veste e acorda a custa do trabalho humano, dos outros trabalhos que não são os seus.
Neste final de ano incerto eu vou abraçar meus amigos que ainda não conheci. Pois sei o quanto é fácil abraçar o meu irmão, minha filha, meu parente. Como abraçar os que choram nas ruas nas quais eu não ando, nas periferias que me fazem medo?
Como dizer ‘Feliz Natal’ para quem não nasceu e ‘Feliz Novo Ano’ para quem envelheceu? Por que abraçar as serpentes que cultivamos e fingir que não vemos a dor que elas produzem lá mais distante, onde meus olhos não alcançam, minha solidariedade não atinge e minha voz não leva nenhum acalanto?
Um Natal assim me deixa doente, é como uma doença antiga, do tempo em que o meu coração se partiu em três, quatro pedaços colossais, a amar meus desejos pequenos e a esquecer os desejos gigantes da humanidade.
Queria um Natal diferente, onde o homem amasse de fato a si mesmo e aos outros. Que as árvores não fossem sufocadas pelos coronéis do carbono, nem as águas, nem o ar, nem as larvas, nem as sementes, nem os pássaros sadios, os doentes, nem as raízes, nem os lagos, nem os homens, nem os peixes, nem os animais de pele, de escama, de asas, nem as lagartas, nem a terra.
Nenhum pedaço de sol eu posso dar, nenhuma esmola que não agüenta uma investigação. Por isso eu vou proteger o sol neste Natal, a única beleza natural que eu posso cuidar. Abraçar a lua não me deixará em conflito com os donos do poder.
Acho que vou acabar abraçando a chuva aqui nesta Amazônia indecente, que fica nua nas aldeias indígenas e não se preocupa com a cretinice dos apóstatas do verde e apóstolos do medo e da moral divina.
Vou abraçar o vento, vou falar com os pedaços soltos de asfalto, porque sei que eles são restos mortais milenares de nossos antepassados, de nossas árvores, animais, tudo que se acumulou no subsolo invisível do planeta. Com eles conversarei.
Pedirei perdão aos entes da floresta, aos meninos pobres e às adolescentes convertidas à prostituição, aos desempregados do capital, aos negros, aos povos indígenas, aos homossexuais, aos africanos, palestinos, aos latinos e iraquianos.
Feliz Natal ao homem das margens dos igarapés amazônicos, às mulheres que não lhe deram a oportunidade de pintar o cabelo, os lábios, usar um bracelete, um vestido de moda, aos pássaros que não se vestem contra o frio ou para adornar a noite.
Lutarei contra os meus medos e as minhas antipatias ao novo, ao desconhecido e a tudo aquilo que maltrata e provoca dúvida, preconceito e aversão. Uma idéia nova, uma pessoa doente, sem lar e esperança, uma nódoa na minha blusa de linho, um desvio no meu caminho, um medo de repartir, de amar.
Feliz Natal aos homens de sonho nobre, de idéias encantadas e coletivas. Que cada silêncio de rua faça nascer uma fogueira de sonhos.
Feliz Natal à humanidade que não se rende ao atraso de acumular sempre as mesmas dores no costado dos fracos e as mais iluminadas alegrias nas almas de poucos.
Feliz Natal!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Helicóptero Esperto

domingo, 20 de dezembro de 2009
Vale a pena ver de novo: a farra no “barquinho”
Leia ainda o texto bem humorado do jornalista e humorista Antonio Klemer sobre o assunto:
OS CANGAPÉS DA COMPANHEIRA NALUH
Fazia pedaço que o Jornal Nacional tinha abarcado no ar as imagens da cabulosa viagem dos deputados estaduais acreanos e seus assessores para - diz-se- que! - conhecer a realidade dos ribeirinhos ao longo das hidrovias do Juruá.
O siribôlo ainda nem tinha esfriado, mas a deputada Naluh Gouveia andava mode um siri na lata por causa das críticas que o escândalo provocara.
- Por onde a gente anda fica todo mundo mangando! reclamava.
Mas Naluh - professora, vereadora e sindicalista que fizera história por ter língua grande e nenhum sobrôsso, nunca se rebaixou por ter participado daquela pescari, digo, atividade parlamentar flúvio- etílico- cultural.
- Não fizemos nada de errado! dizia naquele dia ao ex-companheiro de Base Aliada e outras pescarias, agora deputado federal Sérgio Petecão.
Quando dão fé, um sujeito que passava na calçada do outro lado da rua alarmou:
- Naluh, valeu! Parabéns, minha deputada!
Animada, Naluh se virou para Petecão e confessou:
- Esse é o primeiro companheiro que me encontra e não me condena por ter ido naquela viagem, Petecão!
E o cabra, ainda na outra calçada, completou:
- A senhora foi a única que teve coragem de pular de facada...
Nas imagens que a TV ACRE espalhou mundo a fora, Naluh Gouveia aparecia em cenas olímpicas, dando cangapés ornamentais do barco alugado pelo senadorável comunista Edvaldo Magalhães e sua Mesa Diretora que entrou para a história daquela augusta casa como "Titanic".
MINIDICIONÁRIO DE ACREANÊS
FAZIA PEDAÇO - Havia pouco tempo ABARCADO - Tacado; pespegado CABULOSA - Bizarra; bizônia, estranha; intrigante SIRIBÔLO - Festejo; confusão MODE SIRÍ NA LATA - Brava; valente MANGANDO - Debochando; reprovando SOBRÔSSO - Medo DÃO FÉ - Percebem; vêem CANGAPÉS - Saltos; pulos
sábado, 19 de dezembro de 2009
Pestistas na Berlinda
A dor de cabeça latente é causada pelo AI/767868, que corre no Supremo Tribunal Federal (STF). Dia desses Viana foi visto de passagem por um gabinete no STF. O que será que ele foi fazer lá? Uma visita de cortesia certamente não foi.
Acompanhe o processo aqui.
*Marcos Venicios é jornalista e editor do Blog do Venicios
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Lançada a Campanha Papai Noel dos Correios 2009
O que é:
O Projeto Papai Noel dos Correios é uma ação corporativa, desenvolvida em todas as 28 diretorias regionais, que tem como foco principal o envio de carta-resposta às crianças que escrevem ao “Papai Noel”. O objetivo central é manter a magia do Natal.
A quem se destina?
O destinatário do projeto é a criança que envia pelos Correios uma cartinha ao Papai Noel. As cartas que partem das comunidades carentes em todo o País são separadas e colocadas à disposição da sociedade para quem quiser adotá-las. Ou seja, nem todas as crianças carentes serão necessariamente atendidas.
Como é feita a triagem?
Inicialmente são descartadas as correspondências que não contêm remetentes ou as com endereços repetidos. Portanto, não adianta mandar mais de uma carta, pois não se tra ta de sorteio. Assim, é importante o correto preenchimento do nome e endereço do destinatário, com CEP. Cartas de adultos não são atendidas, bem como pedidos de medicamentos, celular, MP3, DVD, notebooks e afins. Os critérios de atendimento de pedidos são razoabilidade e possibilidade.
Cada Regional tem um método de trabalho para classificação e seleção das cartas destinadas para adoção, considerando diversos fatores, tais como: tamanho da área abrangida, número de correspondências, número de adoções, número de voluntários envolvidos, etc.
Em 1997, a iniciativa transformou-se em projeto corporativo, passando a ser desenvolvida em todas as 28 Diretorias Regionais da empresa.
Números:
Desde a criação do projeto o número de correspondências vem aumentando. Abaixo, os dados dos últimos quatro anos:
Ano Cartas recebidas Cartas respondidas Cartas adotadas
2005====395.183==========145.4 74=======130.655
2006====501.605==========177.549=======226.934
2007====792.760==========231.552=======357.971
2008====1078.711=========365.446=======464.481
Quem pode colaborar?
Todas as pessoas da sociedade podem colaborar, tanto como voluntários para auxiliar na leitura e triagem das cartas, como para adotar um pedido. Para isso, basta entrar em contato com os Correios de sua região.
Parceiros:
Planeta Voluntários -A maior Rede Social de Voluntários e ONGs do Brasil !!!
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Questões Ambientais
Esta semana, o governador Binho Marques, embarcou com sua comitiva para Copenhague na Dinamarca, onde ocorre a Conferência Mundial do Clima, realizado pela Organização das Nações Unidas - ONU. Binho levou para o encontro dos paises, experiências de desenvolvimento sustentável. Mas com certeza não vai mostrar nem falar, dos impactos ambientais que o governo da Frente Popular, não conseguiu resolver. Danos ambientais que passam despercebido por instituições como o Ministério Público Estadual, e a promotoria de meio ambiente.
